sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Seco.

Eu nunca deixei a lagrima rolar. Sempre a segurei. Guardei em mim, e descobri que elas não voltavam. Descobri que as lagrimas eram irremediáveis, e que quando se tenta cura-lás elas desaparecem. Não provei do salgado da lagrima. Não chorava nem na alegria. Não podia. As guardava pra depois, e elas não voltavam. Não voltam. Nunca chorei. Fui sempre um oceano interno. Fui fluente para dentro. Enquanto meu eu chora, meu eu também refletia o sol de fora. Pelas janelas da alma eu não derramei meus baldes de água. E fui deixando e fui também percebendo que as lagrimas não voltam. Eu sofro, esperando a gota que me encha. Esperando a vida cruzar a linha do insuportável. Esperando o vento bater asas e me dar a capacidade voar, de chorar. Não choro, não sofro, suporto, e as lagrimas pra depois. O depois não chega. O depois seca. Incoerência, saber tudo das leis, não segui-las e ser o único a se prejudicar. Não choro, não diluo, não deixo deixar de existir. Sou de magoas. Sou de magoas mortas. Mortas de sede. Sou seco por fora e de novo sou seco por dentro.

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